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A doença meningocócica

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A doença meningocócica é causada pela Neisseria meningitidis (NM), bactéria Gram-negativa que, quando encapsulada, está mais associada às doenças invasivas, dentre as quais se destacam a sepse e a meningite.

 

Sua cápsula também está relacionada à resistência imunológica e é a base para classificação dos meningococos em sorogrupos. A infecção pela bactéria NM ocorre de forma endêmica em todo o mundo e, no Brasil, é o patógeno mais frequentemente envolvido nos casos de meningite bacteriana. A NM é classificada em 12 diferentes sorogrupos, de acordo com a composição antigênica da cápsula polissacarídica, sendo que os sorogrupos A, B, C, Y, W e X são responsáveis por praticamente todos os casos da doença.

 

A transmissão da NM pode ocorrer por meio de gotículas respiratórias, contato direto com sujeitos infectados, ou, mais frequentemente, com carreadores assintomáticos, especialmente em indivíduos não imunizados previamente.

 

A idade de distribuição da doença meningocócica ocorre em dois picos: o maior em bebês, causado pelo desaparecimento de anticorpos maternos, e um pico secundário em adolescentes e adultos jovens, causado pela alta taxa de colonização nasofaríngea.

 

As taxas de letalidade em nosso país são elevadas, ao redor de 20% considerando todos os sorogrupos, podendo chegar a 50% quando há apresentação clínica de meningococcemia. Em decorrência do seu perfil clínico e epidemiológico, bem como de suas altas taxas de morbimortalidade, a doença meningocócica impõe a necessidade de estratégias de prevenção por meio da vacinação.

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Colonização nasofaríngea2,4-6 A NM é a única bactéria Gram-negativa que coloniza a nasofaringe dos seres humanos. Sob algumas circunstâncias, pode invadir a corrente sanguínea e causar doença meningocócica invasiva (meningite ou sepse).

 

A transição entre colonização e doença invasiva pode ocorrer a qualquer momento, desde um dia até aproximadamente duas semanas depois da aquisição da bactéria. Dados internacionais apontam como principais carreadores os adolescentes e adultos jovens. Uma revisão sistemática e metanálise incluindo 89 estudos representativos de 28 países, com o objetivo de entender a epidemiologia e a dinâmica de transmissão da infecção meningocócica, avaliaram a prevalência de carreadores da NM em todas as idades.

 

Como resultado, observou-se um pico de 23,7% em adolescentes de 19 anos de idade, contra 4,5% na infância e 7,8% na idade adulta.

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Fatores de risco para a doença meningocócica

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Fatores individuais

 

• Idade (crianças pequenas e adolescentes);

• Asplenia funcional ou anatômica e doenças relacionadas;

• Deficiência dos componentes terminais da via comum do sistema complemento;

• Sistema imunológico debilitado por terapia, como eculizumabe e corticoide (doses altas e por longo prazo); • Infecções do trato respiratório, como por influenza;

• Pessoas vivendo com HIV/Aids. Fatores ambientais

• Condições climáticas que favorecem a lesão da mucosa (baixa umidade).

 

Fatores sociais e econômicos

 

• Viver em condições aglomeradas e/ou compartilhar dormitórios (universidades, acampamentos, centros militares);

• Tabagismo ativo e passivo;

• Contato íntimo (beijar);

• Visitas frequentes a lugares muito movimentados, incluindo bares e baladas;

• Microbiologistas expostos rotineiramente ao meningococo;

• Viajantes para ou residentes de locais onde o meningococo é endêmico.

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Sinais e Sintomas da Doença Meningocócica

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Sinal ou grupo de sintomas
 

• Febre*
• Náusea, vômitos
• Mal-estar geral
• Letargia

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Septicemia > Morte por falência cardíaca

• Dor no membro/articulação
• Mãos e pés frios e tempo de preenchimento capilar aumentado
• Palidez/cianose
• Taquicardia
• Taquipneia/dispneia, hipóxia
• Rigidez
• Oligúria/sede
• Exantema em qualquer parte do corpo (pode ser tardio)
• Dor abdominal (por vezes, diarreia)
• Lentidão/confusão/alteração do estado de consciência (sinal tardio)
• Hipotensão (muito tardio, sinal pré-terminal)
• Deterioração rápida

 

Meningite > Morte por aumento da pressão intracraniana

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• Cefaleia intensa
• Rigidez da nuca (pode não estar presente em crianças pequenas)
• Lentidão/confusão/alteração do estado de consciência
• Convulsões (sinal tardio)
• Déficits neurológicos focais incluindo envolvimento dos pares cranianos e pupilas dilatadas/assimétricas/fracamente reativas (sinal tardio)

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*A febre geralmente está ausente em bebês com menos de três meses de idade.

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A ordem de aparecimento dos sintomas é variável. Alguns sintomas podem não estar presentes.

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Adaptado de: Meningitis Research Foundation. Meningococcal Meningitis and Septicaemia – Guidance Notes. Diagnosis and Treatment in General Practice, 2014

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Epidemiologia da doença meningocócica no Brasil

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Seis sorogrupos da NM são responsáveis pela maioria dos casos de doença invasiva reportados no planeta: A, B, C, W, X e Y. A distribuição dos sorogrupos varia conforme o grupo etário e a localização geográfica. Sua predominância também pode mudar em um período muito curto de tempo. Portanto, a vigilância epidemiológica é fundamental no controle de doenças infecciosas.

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Assim como ocorre em nível global, considerando sua dinamicidade, a epidemiologia da doença meningocócica vem apresentando mudanças ao longo dos últimos anos em todas as regiões do Brasil. Apesar de o sorogrupo C ainda prevalecer, observa-se aumento do número de casos por outros sorogrupos.

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Proporção dos sorogrupos identificados causando meningite em 2019, por região do país

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A vigilância epidemiológica no Brasil e no mundo tem mostrado aumento na incidência e disseminação da Doença Meningocócica Invasiva (DMI) pelo sorogrupo W nos últimos anos.

 

A doença por esse sorogrupo pode apresentar evolução, gravidade e desfecho negativo piores quando comparados com outros sorogrupos, além de possuir uma diversidade de variantes de cepa e ter diferenças nas faixas etárias afetadas.

 

Esses fatores têm chamado a atenção das autoridades de saúde nacionais quanto à necessidade de uma estratégia de vacinação com resposta rápida, adaptada e direcionada para conter a disseminação deste sorogrupo.

 

No estado de Santa Catarina, o sorogrupo W foi responsável por 39,3% dos casos, em 2018, com 90% de identificação dos sorogrupos, e letalidade geral de 18%. Já em 2019, o sorogrupo W foi responsável por 28,1% dos casos, a letalidade geral foi de 21,3% e houve 84,4% de identificação de sorogrupos.

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Importância de vacinar adolescentes

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Como apresentado, os adolescentes e os adultos jovens são os principais portadores de NM na nasofaringe, transmitindo a bactéria para as demais faixas etárias. Estão, portanto, em maior risco de DMI devido a comportamentos ambientais e sociais que resultam em contato próximo, os quais promovem a transmissão e aumentam a colonização. Esse grupo é importante na epidemiologia, transmissão e prevenção da DMI.

 

A mortalidade associada à DMI é estimada em cerca de 5%-10%, enquanto sequelas clínicas graves, tais como amputações de membros, convulsões, paralisias, perda auditiva e visual, distúrbios psicológicos e déficits neurológicos, ocorrem em 12%-20% dos sobreviventes.

 

Como os adolescentes e adultos jovens são os carreadores primários do meningococo, a vacinação dessa população pode diminuir a colonização e a transmissão, resultando tanto na proteção direta (vacinados) quanto indireta (não vacinados).

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que estratégias de vacinação meningocócica sejam implementadas em países com taxas endêmicas moderadas ou elevadas de doença, assim como naqueles com epidemias frequentes.

 

Considerando a seriedade da DMI, por conta de suas complicações e do elevado risco de colonização e doença em adolescentes, vários países, com base em orientações de sociedades médicas especializadas, têm como estratégia recomendar a vacinação desse grupo (rotina primária, reforços ou catch-up).

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Vacinas Meningocócicas

 

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Desde 2010, a vacina recomendada e disponibilizada pelo Ministério da Saúde no sistema público de saúde é a meningocócica C (MenC) para crianças menores de 5 anos (até 4 anos, 11 meses e 29 dias) e adolescentes de 11 a 14 anos.

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De rotina, o esquema é feito em três doses, aos 3 e 5 meses e um reforço aos 12 meses. Crianças de 1 a 4

anos não vacinadas previamente podem receber uma dose da vacina.

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Os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs) disponibilizam a vacina para alguns grupos de pacientes com comorbidades.

 

A partir de 2020, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece a vacina meningocócica ACWY para adolescentes de 11 e 12 anos, ao invés da MenC. Os CRIEs oferecem essa mesma vacina para pessoas em uso de eculizumabe para tratamento de Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN).

 

Pela Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), a recomendação é que seja, sempre que possível, utilizada a vacina meningocócica ACWY em todas as doses, inclusive para os reforços de crianças previamente vacinadas com MenC.

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Intercambialidade entre vacinas meningocócicas 3,25,26

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Em pacientes que receberam a vacina meningocócica ACWY-TT ou outra vacina meningocócica conjugada anteriormente, uma dose de reforço feita com a ACWY-TT proporcionou títulos protetivos entre 99% e 100% dos indivíduos avaliados.

 

Não existem, entretanto, dados na literatura sobre intercambialidade entre as diferentes vacinas meningocócicas conjugadas ACWY nas doses realizadas na primovacinação.

 

Crianças vacinadas com vacina meningocócica C podem se beneficiar do uso da vacina meningocócica ACWY a fim de ampliar a proteção, respeitando-se um intervalo mínimo de um mês da última dose de vacina meningocócica C.

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Esquema posológico primário da vacina meningocócica ACWY-TT

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Idade da primeira dose de 6 semanas a < 6 meses
Série primária 
2 doses*

Dose de reforço 12 meses
* intervalo mínimo de pelo menos 2 meses entre as doses. *

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Idade da primeira dose de 6 meses a < 12 meses
Série primária 1 dose

Dose de reforço 12 meses**
**Intervalo mínimo de pelo menos 2 meses após a primeira dose.

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Idade da primeira dose ≥ 12 meses
Série primária 1 dose

Dose de reforço Não há dose de reforço

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Sempre que possível, considerar aplicações simultâneas na mesma visita;

• Qualquer dose não administrada na idade recomendada deve ser aplicada na visita subsequente, respeitando-se sempre o esquema por faixa etária previsto em bula;

• Eventos adversos significativos devem ser notificados às autoridades competentes.

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Imunogenicidade

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Diversos estudos científicos demonstraram a segurança e imunogenicidade, assim como a persistência de anticorpos por até 5 anos em diversas faixas etárias (bebês, lactentes, adolescentes e adultos), evidenciando adequada resposta imune para estes grupos.

Recentemente, estudos demonstraram proteção a longo prazo mensurando a persistência de anticorpos até 10 anos após a vacinação primária nas faixas etárias entre 1 a 55 anos de idade. A

vacina meningocócica ACWY-TT é a única vacina meningocócica quadrivalente que tem estudos em bebês a partir de seis semanas de vida.

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Segurança

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Os eventos adversos mais comuns incluem: perda de apetite, irritabilidade, sonolência, cefaleia, febre, inchaço, dor e rubor no local da injeção e fadiga.

 

Todos os eventos adversos devem ser notificados à agência reguladora de saúde e também ao laboratório fabricante da vacina pelo SAC (número disponível na bula e embalagem da vacina), desde os mais comuns até reações leves ou graves.

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Utilização em populações especiais

 

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Gravidez

 

Estudos com a vacina meningocócica ACWY-TT em animais não indicam efeitos prejudiciais diretos ou indiretos relacionados à fertilidade, à gestação, ao desenvolvimento embriofetal, ao parto ou ao desenvolvimento pós-natal.

 

A vacina meningocócica ACWY-TT só deve ser usada durante a gravidez se for claramente necessário e se as possíveis vantagens superarem os riscos potenciais para o feto. A experiência no uso desta vacina em gestantes é limitada. Categoria C de risco na gravidez.

 

Lactação

 

A vacina meningocócica ACWY-TT só deve ser usada durante o aleitamento se as possíveis vantagens superarem os riscos potenciais. Não se avaliou a segurança do uso dessa vacina em mulheres que estejam amamentando. Não se sabe se essa vacina é excretada no leite humano. Essa vacina não deve ser usada sem orientação médica por mulheres grávidas ou que estejam amamentando.

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Incompatibilidades e Coadministração com as demais vacinas do calendário

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A vacina meningocócica ACWY-TT pode ser administrada concomitantemente com todas as vacinas do calendário de rotina, a depender da faixa etária. Para detalhes de coadministração por faixa etária, consulte a bula. Se a vacina meningocócica ACWY-TT tiver de ser coadministrada com outra vacina injetável, ambas devem sempre ser aplicadas em locais diferentes.

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